Alimentação Entérica Precoce ou Tardia em Recém-Nascidos com Alteração de Fluxos em Ecografia Pré-Natal

Isabel Periquito, Joana Oliveira, Cláudia Fernandes, Marta Ferreira, Rosalina Barroso

Resumo


Introdução: O principal objetivo deste estudo foi determinar o efeito da introdução de alimentação entérica precoce comparado com introdução tardia, na incidência de morbilidade gastrointestinal e tempo até alimentação entérica total, em recém-nascidos com alteração de fluxos em ecografia pré-natal.

Métodos: Análise retrospetiva dos recém-nascidos internados numa unidade de cuidados intensivos neonatais de nível III, em Portugal, entre janeiro de 2004 e dezembro de 2013 com alteração de fluxos em ecografia pré-natal. Foram criados dois grupos baseados no tempo até introdução de primeira alimentação entérica: grupo de alimentação precoce (≤48 horas) e grupo de alimentação tardia (> 48 horas). Os resultados principais foram morbilidade gastrointestinal e mortalidade devido a complicações gastrointestinais.

Resultados: Foram incluídos 46 (47%) de recém-nascidos no grupo de alimentação precoce e 52 (53%) no grupo de alimentação tardia. Não houve diferenças significativas na morbilidade gastrointestinal, incluindo enterocolite necrosante, perfuração ou cirurgia gastrointestinal, íleus séptico ou intolerância alimentar. A alimentação precoce resultou numa diminuição significativa da sepsis tardia (p=0,016; odds ratio 0,276; intervalo de confiança 95% 0,096-0,789).

Discussão: A introdução precoce de alimentação entérica poderá não ter efeitos significativos na incidência de morbilidade gastrointestinal em recém-nascidos com alteração de fluxos em ecografia pré-natal. Houve uma redução significativa na sepsis tardia, sem condicionar um aumento de risco de morbilidade gastrointestinal.


Palavras-chave


Gastroenteropatias; Nutrição Enteral; Recém-Nascido; Sinais e Sintomas Digestivos; Ultrassonografia Doppler

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