Síndrome Sincinética Mandíbulo-Palpebral de Marcus Gunn: Relato de Dois Casos

Laura Azurara, Nadine Marques, Bruno Sanches, Ana Margarida Queiroz, Maria Gomes Ferreira

Resumo


A síndrome sincinética mandíbulo-palpebral de Marcus Gunn caracteriza-se, classicamente, pela presença de ptose palpebral congénita que reverte com a mobilização da mandíbula. Admite-se que exista um mau direcionamento neuronal congénito dos axónios motores do nervo trigémeo do músculo pterigoideo externo (responsável pela depressão e protusão da mandíbula) para o músculo levantador da pálpebra, que condiciona a retração da pálpebra quando o doente contrai o músculo pterigoideo homolateral, por exemplo, durante os movimentos de sucção e abertura ou lateralização da mandíbula. O espetro de manifestações clínicas é amplo, podendo cursar com movimentos de elevação da pálpebra superior desencadeados pela mobilização da mandíbula, sem ptose. Descrevem-se dois casos clínicos de lactentes que apresentavam, desde o nascimento, movimentos de elevação da pálpebra superior direita síncronos com os movimentos de sucção, sem ptose palpebral. Os casos alertam para os aspetos clínicos da síndrome sincinética mandíbulo-palpebral, que permanece pouco conhecida entre a comunidade pediátrica.

Palavras-chave


Blefaroptose/congénito; Distúrbios Maxilomandibulares; Doenças Palpebrais/congénito; Lactente; Músculos Oculomotores; Sincinesia; Transtornos da Motilidade Ocular

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