Tosse Convulsa: Experiência de uma Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos

  • Ana SC Fernandes Departamento de Pediatria, Hospital de Santa Maria, CHLN, Centro Académico de Medicina de Lisboa, Lisboa, Portuga http://orcid.org/0000-0002-2027-2930
  • Leonor Boto Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Departamento de Pediatria, Hospital de Santa Maria, CHLN, Centro Académico de Medicina de Lisboa, Lisboa, Portugal
  • Joana Rios Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Departamento de Pediatria, Hospital de Santa Maria, CHLN, Centro Académico de Medicina de Lisboa, Lisboa, Portugal
  • Cristina Camilo Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Departamento de Pediatria, Hospital de Santa Maria, CHLN, Centro Académico de Medicina de Lisboa, Lisboa, Portugal
  • Francisco Abecasis Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Departamento de Pediatria, Hospital de Santa Maria, CHLN, Centro Académico de Medicina de Lisboa, Lisboa, Portugal
  • Marisa Vieira Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Departamento de Pediatria, Hospital de Santa Maria, CHLN, Centro Académico de Medicina de Lisboa, Lisboa, Portugal

Abstract

Introdução: Apesar de programas de vacinação bem estabelecidos, a tosse convulsa tem reemergido em vários países, particularmente em pequenos lactentes suscetíveis a doença grave. Pretende-se caracterizar os internamentos por tosse convulsa numa unidade de cuidados intensivos pediátricos.

Métodos: Estudo descritivo retrospetivo, por análise de processos clínicos de crianças com tosse convulsa confirmada laboratorialmente, internadas na unidade de cuidados intensivos pediátricos de um hospital de nível III entre janeiro de 2008 e julho de 2016.

Resultados: Registaram-se 23 internamentos, mediana de idade 40 dias, 14/23 (60,9%) do sexo feminino, 21/23 (91,3%) não imunizados para Bordetella pertussis. A tosse paroxística (100%) e a apneia (69,6%) foram os sintomas definidores de caso mais frequentes. Os principais motivos de internamento foram episódios de cianose e hipoxemia (22/23, 95,7%), bradicardia (17/23, 73,9%) e apneia (16/23, 69,6%). Quinze doentes (65,2%) necessitaram de suporte ventilatório, invasivo em 10. Foi utilizada hipercapnia permissiva em cinco doentes e curarização em quatro. Verificou-se leucocitose em todos os doentes (mediana 26600 células/mL, 15 020-103 900 células/mL). Não foram usadas técnicas leucorredutoras. Identificaram-se agentes coinfetantes em 10 doentes e imagem radiológica de pneumonia em 14, nosocomial em três. Registaram-se cinco casos de hiponatremia e um de convulsões. Não se verificaram óbitos.

Discussão: A taxa de complicações e morbimortalidade foi menor do que a reportada noutras séries. O rastreio atempado e tratamento da coinfecção, bem como a estratégia de ventilação utilizada, recorrendo por vezes a curarizantes para prevenir barotrauma, poderão ter contribuído para estes resultados.

Published
2018-04-20
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Original articles