Variação de Peso Durante as Primeiras 96 Horas de Vida Numa Amostra de Recém-Nascidos Portugueses

  • Maria João Fonseca EPIUnit - Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. Departamento de Epidemiologia Clínica, Medicina Preditiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
  • Milton Severo EPIUnit - Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. Departamento de Epidemiologia Clínica, Medicina Preditiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
  • Ana Cristina Santos EPIUnit - Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. Departamento de Epidemiologia Clínica, Medicina Preditiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Abstract

Introdução: Após o parto, os recém-nascidos perdem aproximadamente 6% do peso à nascença. O objetivo deste trabalho foi
descrever a variação de peso durante as primeiras 96 horas de vida, numa amostra de recém-nascidos portugueses.

Métodos: Este estudo incluiu 1288 recém-nascidos pertencentes à coorte de nascimento Geração XXI. O recrutamento ocorreu
em 2005-2006, nos cinco hospitais públicos com maternidade do Porto. A informação foi recolhida através de um questionário
estruturado aplicado durante o internamento e, adicionalmente, foi retirada dos processos clínicos. Os entrevistadores
pesaram os recém-nascidos, durante o internamento, em momentos diferentes para cada recém-nascido, sendo calculada a
variação de peso.

Resultados: Desde o nascimento até às 12 horas de vida, os recém-nascidos tinham já uma perda média de 1,98% do peso à
nascença. Em média, o peso mínimo atingido correspondeu a uma perda de 6,74% do peso à nascença, ocorrendo às 52,3 horas
de vida. Após ajuste para potenciais confundidores, uma perda de peso superior ocorreu em filhos de mães que não viviam
com companheiro e em recém-nascidos de parto por cesariana.

Discussão: A perda de peso máxima correspondeu a 6,74% do peso à nascença, ocorrendo às 52,3 horas de vida. Poucos estudos
descreveram a variação de peso do recém-nascido, sendo este o primeiro realizado em Portugal. Assim, considera-se que
os resultados produzidos por este estudo são um contributo relevante para a saúde perinatal.

Published
2016-03-01
Section
Original articles